ela

ela representa tudo o que eu sempre quis
o frescor da liberdade
a leveza no sorriso
aquele jeito doce
de não se preocupar com nada
como se a vida
fosse um romance de cinema

ela é tudo o que eu queria ser
e o que eu queria ter

ela é tão grande que
quando abre as asas
abraça o mundo
e ao mesmo tempo tão pequena
que cabe dentro dos meus braços
quando se aninha pra dormir

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azul II

o azul do teu olho
é tão profundo que
sempre me afundo
no que queria dizer
e me perco no meio
do caminho, a ermo
nado mais rápido pra
sair do vazio que
me afogou quando
você chegou e eu
te olhei nos olhos
pela primeira vez.

há mar

é que quando você chega
eu deixo
sua nuca encostar no meu queixo
pr’acalmar de uma vez meu desejo
de correr pra bem longe contigo
pra fazer das estrelas o abrigo
que meu peito precisa no fim

medo

eu sempre tive medo.
muito medo.
mais medo que tudo.
mais medo que vontade.

aí eu te vi.

e tive medo de você não me ver.

aí você me viu.
e veio.

e eu tive medo de você não querer ficar.

mas você quis.

e me mostrou que tinha seus medos também.
e demos as mãos.

decisão

desde que eu decidi te escolher
o tempo parou.

a fonte secou
a tinta acabou
a vida tomou conta do vazio que eu sentia

e a poesia se esvaía
escorria pela palma da mão.

nunca mais escrevi os amores perdidos
nunca mais revivi os sonhos esquecidos
nunca mais me lembrei do coração partido
que me fazia contar tantas histórias

Empreenda sua jornada!

No começo, eu fiz tudo errado achando que tava certo. Eu quis me jogar no mundo sem me preparar pra isso. Mas minhavó já dizia, quando a gente gritava do chuveiro que tinha esquecido a toalha, “quem vai ao mar se previne em terra”. E aí, já no meio do caminho, eu percebi que precisava parar e fazer as malas, que não dava pra seguir só com a trouxinha de uma camisa amarrada num cabo de vassoura. E aí eu parei. E voltei pra trás. E comecei a fazer as malas. Só que elas foram ficando muito pesadas pra seguir viagem e eu tive que começar a esvaziar pelo caminho. E trocar por outros itens com os andarilhos por que passei. Hoje eu aprendi que não se pode andar com a mala nem muito vazia nem muito cheia. Que tudo que entra vai ter que sair e que, quando sai uma coisa, outra nova tem que entrar. E assim a gente vai. E a jornada segue e a vida passa. Trocando experiência com os andarilhos do caminho e passando adiante a bagagem que a gente traz. Conhecimento não ocupa espaço, mas só se faz valer quando a gente devolve pro mundo  que aprendeu. Por isso, vai! Faz as suas malas e se lança no mundo. Só não perde a chance de deixar seu rastro e sua semente. Porque o caminho da vida é feito de gente.

tudo é não sou

Hoje eu sou 8 ou 80. Ou sou de mais ou sou de menos. Não tenho meio termo. Não tenho média. Não equilibro. Eu vivo passado e futuro. Lembrança e projeção. O presente não existe. É suspenso. Não há agora. Tudo o que tenho é o que fui e o que desejo. O instante é não sou. Ao mesmo tempo, vivo duas vidas à procura da terceira, a derradeira. A vida que eu deveria viver, mas não sei onde está. A vida de agora que eu vejo passar e que não acha seu caminho até mim. Pra onde eu fui? Aonde encontro a minha própria vida?

red werneck photography

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